segunda-feira, 25 de junho de 2012
O DÍZIMO E AS CONTRIBUIÇÕES
Há diferenças entre alianças de Deus para com a Igreja e para com Israel, aliás tal estudo deve ser feito posteriormente, mas o texto comumente mencionado sobre a contribuição do membro da Igreja para com sua congregação local trata-se de Malaquias 3:6-10, vejamos então o texto:
“6 Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
7 Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
8 Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação.
10 Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.” Malaquias 3:6-10.
Lemos no v. 6 que o Senhor está falando com os judeus, manifestando uma ira para com eles em razão de desobediência deles, disse que por causa do Senhor ser imutável ele não os consumiria, pois Ele havia feito alianças com eles estabelecidas por prazo perpétuo, assim Deus não iria mudar Sua afirmação inicial, mesmo que o povo continuasse infiel, Ele permanecerá fiel pois não pode negar a Si mesmo. Contudo no v.7 observamos que os judeus haviam se desviado dos estatutos do Senhor, e não tinham se arrependido e voltado atrás, Deus esperava que eles voltassem novamente para a obediência, mas o povo não mudava seu comportamento.
O Senhor ainda afirma no v.8 que o povo judeu passou a não entregar os dízimos conforme a lei determinava, praticando o desvio dos recursos que o Senhor determinou para “Sua casa”. Deus então no v.10 faz um apelo ao povo que se arrependam e passem a enviar os dízimos para a casa do tesouro, o local onde se armazenavam os recursos enviados pelos fiéis.
Alguns mencionam tal afirmação como não sendo válida nos dias de hoje, já que foi pronunciada no Antigo Testamento e para os judeus na ocasião, contudo vamos analisar agora o que cabe a nós como Igreja na atualidade.
Os Apóstolos que viajavam frequentemente na região de Israel anunciando o Evangelho viviam de contribuições dos discípulos que os alimentavam, os abrigavam e os vestiam, tinham todas as necessidades cobertas pelos discípulos, e além disso quando o assunto era dinheiro na Igreja a coisa tornava-se muito mais surpreendente.
Vejamos um texto que registra o início da Igreja primitiva e como os cristãos lidavam com as questões financeiras na Igreja:
Atos 2:44-46 – “44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,”
- lemos no texto claramente que todos os que criam, isto é, os salvos pela pregação do Evangelho de Jesus viviam juntos diariamente! Hoje os cultos são de 2 horas semanalmente, e ainda não é incomum ouvir algumas reclamações da demora, entretando vemos no texto que os crentes primitivos chegavam a vender suas propriedades e bens, pois muitos tinham várias propriedades e mais bens que outros, mas imperava o desapego material, eles repartiam com os outros cristãos os valores obtidos conforme cada um tinha em necessidade. Lógicamente não havia o comunismo, mas o verdadeiro cristianismo não materialista, isto é, se outro precisava de alimento ou suprir necessidades fundamentais outro fiel o socorria. A perseveração era constante na vida dos cristão no templo, comiam juntos em alegria.
Esse quadro da Igreja primitiva não é encontrado nos dias de hoje, o mundo mudou e com ele o coração humano, ou seja os indivíduos tornaram mais consumistas e passaram a “necessitar” de coisas que não necessitavam anteriormente. Esse comportamento dos fiéis nunca foi visto no Antigo Testamento dessa maneira, o perdão era prática diária na vida do cristão.
Paulo em suas viagens missionárias recebia sustento de suas despesas dos cristãos que tornavam-se discípulos e dos que já eram discípulos, disse Paulo sobre contribuição:
I Coríntios 16:1-3 – “1 Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.
2 No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.
3 E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém.”
- Paulo ordenou que se realizasse uma coleta para os cristãos, e disse no v.2 que separassem no primeiro dia da semana tudo o que puderem ajuntar conforme a prosperidade de cada um, ele não estipulou valores, e disse ainda que mandaria cristãos previamente escolhidos para levar os valores a Jerusalém.
A contribuição para a obra de Deus prosseguia entre as Igrejas primitivas de maneira ampla e firme, os Filipenses foram os que mais contribuiram com missões, leiamos o que Paulo diz sobre eles:
Filipenses 4:10-19 – “10 Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.
11 Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
12 Sei estar abatido, e sei também ter abundáncia; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.
13 Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.
14 Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
15 E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente;
16 Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica.
17 Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta.
18 Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.
19 O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.”
Paulo finalizando sua carta aos cristãos de Filipos (cidade localizada na região da Macedônia, Grécia), diz que muito se alegrou em reviver a lembrança dos irmãos de Filipos e não por que tinha necessidade de alguma coisa material, mas ele menciona que havia aprendido a contentar-se com o que tinha. Paulo afirma que pode tudo em Cristo, passar necessidade e ter abundância, mas ele diz no v.14 que os irmãos fizeram bem em tomar parte na aflição dele, e mais, ele afirma que nenhuma Igreja da Macedônia se comunicou com ele, isto é, Paulo não havia recebido nada para seu sustento das outras Igrejas que ele começou na região de Filipos.
Ele havia recebido contribuição dos Filipenses anteriormente quando estava em Tessalônica e se lembrou disso, muito embora o Apóstolo não estivesse interessado em dádivas, mas sim feliz porque os Filipenses ganharam recompensas celestiais com isso (v.17). O irmão Epafrodito foi o encarregado de levar a Paulo a coleta feita em Filipos para ele, note que no v.18 a Palavra de Deus nos informa que foi uma oferta a Deus!
Aprendemos que contribuir para a missão de levar a Palavra da Salvação ao perdido é uma nobre oportunidade, na realidade uma verdadeira honra.
A contribuição para a obra do Senhor na realidade não trata-se de um favor da parte humana para Deus, de modo algum! Todo o cristão firme e fiel tem entendimento suficiente para compreender que entregando recursos financeiros para a propagação do Santo Evangelho, de maneira honesta e dedicada, vai estar na realidade tendo a honra de proporcionar de si algum esforço para alcançar o perdido com a Palavra.
O propósito da contribuição para o cristão não trata-se de donativos simplesmente, mas sim de um favor imerecido da parte de Deus para com o cristão contribuinte!
Leiamos o texto abaixo e estudemos minuciosamente.
II Coríntios 8:1-15 – “1 Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia;
2 Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade.
3 Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente.
4 Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.
5 E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.
6 De maneira que exortamos a Tito que, assim como antes tinha começado, assim também acabasse esta graça entre vós.
7 Portanto, assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em toda a diligência, e em vosso amor para conosco, assim também abundeis nesta graça.
8 Não digo isto como quem manda, mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor.
9 Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.
10 E nisto dou o meu parecer; pois isto convém a vós que, desde o ano passado, começastes; e não foi só praticar, mas também querer.
11 Agora, porém, completai também o já começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes.
12 Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.
13 Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão,
14 Mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade;
15 Como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos.
Analisando essa porção das Escrituras na qual o Apóstolo Paulo comenta sobre a coleta para os cristãos vamos conferir as afirmativas já vistas no estudo anteriormente.
O início do texto menciona que Deus deu uma graça às Igrejas da Macedônia, ou seja, proporcionou aos crentes daquelas Igrejas um favor que não mereciam tê-lo, ou seja, a oportunidade de contribuir para a causa do Evangelho. No v.2 lemos que a generosidade dos cristãos foi abundande diante da pobreza que eles provavelmente viviam. Paulo ainda menciona no v.4 que os irmãos pediram com muitos rogos, i.e, de fato insistiram muito para que fosse aceita a contribuição (a graça dada aos contribuintes) aos cristãos. Os cristãos que enviaram a contribuição tinham grande amor com os obreiros do Senhor, lemos isso no v.7. Paulo exorta no v.9 que eles conheciam muito bem a graça do Senhor Jesus que sendo rico (Criador de todas as coisas) se fez pobre para através dessa pobreza os seres humanos salvos sejam enriquecidos! Maravilhosa obra redentora de Jesus.
Finalizando o assunto entendemos que na Igreja não foi mencionado o dízimo, porém a contribuição era massiva entre os fiéis, aqueles que de fato entenderam as necessidades dos obreiros do Senhor e que tratava-se de uma honra poder acrescentar de algum modo sua particular contribuição para a expansão do Evangelho.
Jesus disse a respeito da vúva pobre em Marcos 12:43-44 “42 Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. 43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; 44 Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.”. O Senhor chegou a chamar os discípulos que estavam afastados dEle para ouvirem a exaltação da pobre viúva, que tinha colocado como contribuição tudo o que tinha muito embora tenha sido muito pouco em valor. Notemos ainda que os que contribuiram anteriormente a pobre viúva haviam colocado na arca do tesouro os valores que eles tinham de sobra. Jesus não mostrou nenhum mérito no que fizeram, já que colocaram as sobras para o Senhor, porém a pobre senhora colocou tudo o que tinha. A Igreja de Jesus precisa ter visão missionária, enviar obreiros para o campo e sustentá-los, manter a Igreja local com suas despesas é o mínimo que se faz, pois as coisas maiores estão fora dos portões, ou seja, manter e enviar cristãos para missões.
A grande realidade é que deveriamos colocar as honras de contribuir com tudo o que podemos, procurar desapegar-se dos bens materiais, mas o alvo maior são as almas perdidas. Existem cristãos que contribuiem para missões sérias com mais da metade do que ganham! Nada que construimos ficará conosco pela eternidade, apenas as almas que de uma forma participamos em sua conversão à Jesus Cristo.
Observação: A grande realidade acerca da contribuição é que o cristão teria o dever fundamental de amar o perdido, sentir ardente desejo de propagar a mensagem que o salvou da condenação eterna, para tanto participar da excelente obra de salvação, seja indo pessoalmente no campo para anunciar a Verdade ou promover a ida de outros irmãos que se prontificam a tal trabalho excelente. Contribuir para isso na realidade é uma oportunidade ímpar na vida do cristão e será sem dúvida o emprego mais promissor do dinheiro. O investimento que garante ao cristão a satisfação plena e perpétua de participar da introdução de almas no reino dos céus, com essa visão no coração do cristão contribuir com 10% passará a ser irrisória dádiva, a realidade da Igreja é justamente de amplitude muito maior do que simplesmente dizimar mensalmente no templo, mas contribuir avidamente com missões e manter sua Igreja local aberta com estrutura para abrigar ao faminto da Palavra de Deus.
Faltam Bíblias nos campos para os pobres, faltam recursos a poucos missionários que se dispuseram a ir para o campo, falta na realidade mais amor por parte dos cristãos, os quais precisam sair fora da porta e começarem a atingir a todos, até mesmo seus vizinhos, não é difícil encontrar uma pessoa que desconhece a fé de seu vizinho e chega a surpreender-se ao saber que ele é um cristão! Sair do anonimato e anunciar com amor a Palavra, vivendo um exemplo de vida para que todos possam ver a Verdade no comportamento do cristão é o mínimo que o fiel deve fazer, entregar seus recursos para salvar almas não é mérito, mas deveria fazer parte da vida do cristão professo.
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